Bernard Shaw afirmou certo dia em tom silencioso que caracterizava habitualmente as suas intervenções inevitáveis polémicas para alguns, que apenas o artista saboreava a invejável cumplicidade que rondava tudo quanto se defenia como os mistérios e segredos da força da vida.
A expressão "Life-Force" afirma-se assim no seu entender, como a capacidade poderosa da criação orgânica que se expressa sempre ao nível de um entendimento nem sempre possível ao ser filtrado pela óbvia racionalidade dos acontecimentos. Ou seja, solicitava encarecidamente à «populaça iletrada» para que não pedissem explicações enervantes ao que não é passível de ser desvendado.
Introdução apropriada esta de recorrer ao «pedante e simpático intelectual irlandês» ainda mais quando Pedro Horgan tem ascendência irlandesa e pertence a esse clã que Shaw, paternalmente abrigaria, reconhecendo muito naturalmente quem é e quem aparenta ser Artista!
In Jornal "O Dia"
3 de Dezembro de 2004 |